Memórias: O Escritório
Fotografia feita no mês de maio de 2020, máquina datilográfica usada no escritório em meados da primeira década dos anos 2000.
O escritório e o Espírito Andarilho
Havia chegado a safra do açúcar e aquela máquina de datilografia experimentava sempre nessa época uma grande frequência de pressionamentos. O açúcar de Alagoas vendido em grande quantidade movimentava as transportadoras e os agenciadores do transporte. Milhares de toneladas eram distribuídas por todo o Brasil. O escritório do minúsculo agenciador de transporte ficava agitado. Era a época que compensava todo o ano, quem vivia da safra, vivia do ciclo do semestre. Então, muitos domingos, era dia de grande movimento, conseguindo veículos e motoristas para compradores do açúcar Alagoano.
O escritório localizado entre a capital e o interior de Alagoas seria seu destino. Com ele iria, José. Para ele, era muito instigante está naquele ambiente: ouvir pessoas do extremo sul ao extremo norte do país, cada um com seus regionalismos na linguagem e no vestir. Aquilo tudo era uma apresentação admirável aos olhos de José. Porém, em termos de espetáculo e experiência estética, a maior contemplação era Célio, senhor negro de óculos, com barba que preenchia todo rosto, posicionado frente a máquina e fazendo pressionamentos em alta velocidade naquela datilográfica. Em movimentos rápidos, corriam as folhas de papel que registravam os documentos.
Quanta habilidade daquele senhor. Atento, o caçula fitava os olhos, vendo atentamente, pois com uma rápida trégua, ele sentaria naquele lugar e tentaria reproduzir os movimentos do pai internalizados na memória. Por alguns instantes, estaria imaginando "ser grande", diante daquela máquina datilográfica. Estes momentos de imaginação e o convívio de poucas horas semanais com aquele ambiente, fazia dele uma figura aspirante por descoberta, um desbravador, ávido por novas experiências. Não era todo instante que ele teria acesso aquela máquina e as folhas para pressionar e escrever, então, cada oportunidade deveria ser o momento de um registro criativo. Além da máquina datilográfica, havia no centro daquele escritório uma mapa do Brasil. Olhar para o mapa, alimentava o espírito de andarilho.
O escritório localizado entre a capital e o interior de Alagoas seria seu destino. Com ele iria, José. Para ele, era muito instigante está naquele ambiente: ouvir pessoas do extremo sul ao extremo norte do país, cada um com seus regionalismos na linguagem e no vestir. Aquilo tudo era uma apresentação admirável aos olhos de José. Porém, em termos de espetáculo e experiência estética, a maior contemplação era Célio, senhor negro de óculos, com barba que preenchia todo rosto, posicionado frente a máquina e fazendo pressionamentos em alta velocidade naquela datilográfica. Em movimentos rápidos, corriam as folhas de papel que registravam os documentos.
Quanta habilidade daquele senhor. Atento, o caçula fitava os olhos, vendo atentamente, pois com uma rápida trégua, ele sentaria naquele lugar e tentaria reproduzir os movimentos do pai internalizados na memória. Por alguns instantes, estaria imaginando "ser grande", diante daquela máquina datilográfica. Estes momentos de imaginação e o convívio de poucas horas semanais com aquele ambiente, fazia dele uma figura aspirante por descoberta, um desbravador, ávido por novas experiências. Não era todo instante que ele teria acesso aquela máquina e as folhas para pressionar e escrever, então, cada oportunidade deveria ser o momento de um registro criativo. Além da máquina datilográfica, havia no centro daquele escritório uma mapa do Brasil. Olhar para o mapa, alimentava o espírito de andarilho.

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